mas de tua tez aflora mais que evidente elegia de fruta e aurora
e uva talvez teus seios ou tua vulva que entre folhas a parreira sementes espalha
e de tuas mãos sobrepostas como se a si segurasse suavemente em essência
sendo o próprio pomo o que emana teu âmago em colheita inteira
somente em si
música, quando calada
música, quando calada em harmonia emana silencioso gesto de acorde delicado
e ausente, imagem se define sendo presença exata de imaginário traço em concreta abstração
e quando sem vestes se revela lindamente vestida de teu corpo somente dança imóvel teu ser
e sei desta invisível escultura deitada impressa no tempo que sempre única se faz querer e amar apenas mais
não sei qual lascivo arabesco tua morena pele esconde onde agora cego vislumbro a escura linguagem da luz
e se toca a minha a tua mão sei que teu passo acompanho ainda quando não ouça a vaga música em que danças
a queda o voo
o que sei dos anjos se caídos ou suspensos se terríveis ou afáveis o que nem de mim sei se farei a devida lembrança do nome dos seus ou se terei os restos da herança do êxtase de santa teresa para além de toda delícia e delito que a linguagem atordoa não sei se no seio de cada ser ressoa o gozo suspenso no ínfimo instante do voo